A rivalizar com a música está a moda de Ricardo Preto, que tem vindo a encurtar as distâncias entre continentes e a esbater as barreiras entre a indústria e a moda de autor. O designer continua a trabalhar com os grandes armazéns filipinos Rustan’s, sem faltar à convocatória das passerelles nacionais, mas já pensa em novas paragens.
«Eles são líderes no mercado das Filipinas e a minha marca, a Ricardo Preto, está encaixada entre os grandes nomes do vestuário masculino», revela o designer ao Portugal Têxtil, acrescentando que, na Rustan’s, «o volume é outro, são 11 toneladas que saem por cada linha da Europa», com Portugal a responder com 30% da produção.
Nos grandes armazéns asiáticos são vendidas a marca Ricardo Preto, com linha de homem, senhora e acessórios para ambos e ainda uma marca de private label batizada U by Ricardo Preto. «A Ricardo Preto tem uma gama de preços mais alta, a U é uma coisa mais “seven/seven”, mais para o dia a dia», explica ao Portugal Têxtil.
De resto, foi precisamente este projeto que impulsionou a criação de uma coleção masculina independente que, na edição “Boundless” da ModaLisboa, cruzou pela segunda vez a passerelle.
A coleção dedicada ao outono-inverno 2017/2018 teve como ponto de partida os modernistas fundadores da Bauhaus e «todas as expressões artísticas das décadas que os mesmos influenciaram». As silhuetas geométricas pintadas de preto, azul e verde musgo foram também inspiradas pelo movimento e o contraste entre matérias-primas clássicas e novos materiais respeitou os pilares estéticos do trabalho do criador. «Nós trabalhamos num ritmo frenético, é importantíssimo sentir-nos bonitos e confortáveis», descodifica ao Portugal Têxtil sobre os casamentos de lãs e gabardinas, alfaiataria e transparências.
Revendo a sua frutífera e contínua ligação à indústria – que começou na marca de vestuário Meamstyle –, o designer exalta a necessidade de se olhar para a moda como um negócio. «Tal como fez sentido ir para a Meamstyle e perceber o que é a indústria, também faz sentido agora onde estou, porque é um grupo que tem uma estratégia para a marca, tem um posicionamento de mercado, sabemos qual é o nosso segmento, sabemos quem é o nosso cliente, isso tudo são coisas que me põem muito mais focado», enumera, sublinhando que se esforça por ser um homem de negócios porque «a marca tem de ser sustentável».
Da parceria com os grandes armazéns Rustan’s resultou a abertura de cinco lojas, mas Ricardo Preto ambiciona colocar a sua coleção em novas geografias já no próximo ano. «Por enquanto estamos focados nas Filipinas, ainda vamos estar mais um ano. Começámos por três grandes armazéns, já vamos em cinco. Para o ano vamos tentar atingir um outro país», adianta.


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