Há poucas coisas tão bonitas como andar ao mesmo compasso.
Divide-se tudo e enfrenta-se o mundo de mãos dadas. Estas são as mulheres que o fazem ao lado dos criadores nacionais.
Por Lígia Gonçalves
Cláudia Efe e Isabel Abreu

A Cláudia já lhe conhecíamos o título de musa. Mas ainda que a palavra e o seu significado sejam belíssimos, dizer que é apenas musa não lhe faz justiça. Conta-nos com a delicadeza que caracteriza que se envolveu com a marca "desde o nascimento e ainda antes de conhecer o Ricardo".
Foi uma amiga a fazer a ponte entre ambos quando Cláudia sentiu a necessidade de ter um guarda-roupa único para concertos. A amiga, que trabalhava na revista Zoot sugeriu o criador que, na altura, estava a começar a marca. "Comecei a usar as roupas dele nos concertos. Convidava-o sempre mas nunca o conheci". Foi assim durante um ano, até que se encontraram e hoje são inseparáveis. "É uma simbiose tão orgânica que é até difícil colocar em palavras", diz.
Não ousamos invadir a cumplicidade, mas pedimos-lhe um descritivo de funções e Cláudia enumera: "Costumo estar sempre presente no processo de edição final das coleções, e durante o processo de criação trocamos fotografias, músicas, mensagens, frases". Pelo meio recorda um momento particular: "Houve uma altura em que ele me convidou para criar os padrões de uma coleção e acho que foi nesse momento que tive noção do meu papel e me apercebi do papel dele na minha vida".
Quanto a Isabel Abreu, conta-nos que "começou por acaso". E que foi a Cláudia a uni-los. "Conheci primeiro a Cláudia, porque fizemos um filme juntas". Em determinado momento, "estava a fazer uma peça e a Cláudia falou-me do trabalho do Ricardo, fui ver e fiquei completamente apaixonada. Entrei em contacto com ele para me ajudar nesse espetáculo e ficámos amigos". Um encontro que aconteceu "há quatro, cinco anos". Na verdade, não importa precisar a data porque, face aos sentimentos, o concreto é sempre supérfluo. E é precisamente nesse plano superior que tudo acontece. "É uma inspiração conjunta. A minha admiração pelo Ricardo inspira-me muito no meu trabalho e talvez a admiração que ele tenha por mim acabe por inspirar algumas coisas nele. Não é uma coisa concreta. Não é palpável. Não é uma função. É uma questão de inspiração. E de admiração"

Revista ELLE Portugal, Outubro 2017

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