Ricardo Preto: "Continuo tão experimentalista como antes"
Criador português que produz mais de 22 toneladas de roupa por estação para o mercado asiático
Ricardo Preto fez desfilar a sua coleção Outono/Inverno 2017/18 na Moda Lisboa esta sexta-feira, perante uma casa cheia. O criador português que produz mais de 22 toneladas de roupa por estação para o mercado asiático, não pensa em mudar de semana de moda. Diz que se identifica com a estrutura da Moda Lisboa e afirma: "Foi aqui que eu comecei e devo muito à moda Lisboa.

Está mais romântico?
Não eu sempre fui um homem romântico.
Mas houve uma época que usavas materiais mais experimentais, como o neoperene?
Esta coleção é o consolidar do meu ADN, é uma segurança que a idade nos traz e que a experiência nos traz. Continuo tão experimentalista como antes. Se calhar um pouco mais expressivo, mais delicado, não tão efusivo.

Mas apresenta detalhes como as saias rodadas. É uma coleção mais feminina?
É. E ao mesmo tempo mais masculina por causa do tailor. Tem muito de alfaiataria. Tem tudo para ser uma coleção mais masculina.

Por causa dos casacos?
Por causa dos casacos, das calças direitas, por causa deste tipo de estrutura.

Qual é a mulher em que pensa sempre que cria uma coleção?
Mulheres fortes, inteligentes, que também são mães. O que gosto de passar e acho que neste essa mensagem passa muito bem é que são mulheres fortes, mulheres de coragem.

Como organiza as coleções?
Começa com black and white e com alguns apontamentos de cor. Depois passo para um grupo que é um misto de neutros e tons fortes e termino com os escuros. É uma paleta muito bonita, estou muito confiante, e foi uma paleta muito bem aceite pelos meus clientes. Já foi apresentada aos buyers e foi muito bem aceite. Agora venho à Moda Lisboa mostrar ao público.

A componente do espetáculo que um desfile de moda encerra é importante para si?
O meu principal objetivo é vestir uma mulher e fazer com que ela se sinta segura e bonita. Em catwalk tento pensar uma mensagem. Esta mistura de tecidos de grande qualidade, de tailor, esta paleta de cores e o contraponto com peças extralarge e quase em coisas mais rudes tem como intenção passar essa mensagem de mulheres fortes.

Está a trabalhar nesta altura também para um grupo filipino. Como é que encara essa experiência?
Continuo a viver cá mas estou a colaborar com um grupo de confeção s das Filipinas e está a ser genial. Em Portugal funciono por ateliê, tenho as minhas clientes, com um. Na Ásia tenho um investidor e por isso faço 11 toneladas por estação por marca. Tenho duas marcas. Uma que se chama Ricardo Preto e a U by Ricardo Preto for Rustan"s Men and Woman que vendo em exclusivo em cinco grandes department stores (armazéns) e vinte e tal pontos de venda.

Há diferenças na criação para o mercado asiático e o nacional?
Não. É como a comida, como a imagem. Existe uma globalização. O cliente das Filipinas ou de Hong Kong não é diferente dos de Portugal. Sempre achei que produzir só para Portugal é um erro. O cliente é global.


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