"A PRINCÍPIO RECEEI QUE ME DISCRIMINASSEM POR SER ESTILISTA"
Estudou Arquitectura porque considerava esta uma saída profissional mais segura, mas desde criança que idealizava a sua vida como designer de moda. Para o grande público, o nome Ricardo Preto pode ser ainda razoavelmente desconhecido, mas o meio da moda está mais do que conquistado.Ricardo começou como ajudante de Dino Alves, desenvolvendo, ao longo de três anos, todas as linhas de acessórios do criador, o que também fez com Osvaldo Martins. Depois de ter apresentado duas colecções nas Manobras de Maio e de ter participado no Portugal Fashion, Ricardo integrou a plataforma LAB da ModaLisboa, em Março de 2006, passando depois a figurar no certame em nome próprio. Desde então, a sua vida mudou por completo e aquilo que jamais julgou ser possível é hoje, aos 36 anos, uma realidade.Foi durante uma conversa descontraída na sua casa de férias, no Meco, que Ricardo confessou sentir-se numa fase de grande realização, de tal maneira que vive completamente dedicado ao trabalho. "Desde criança que o meu sonho era ser estilista. Adorava desenhar e estava sempre a inventar coisas." - Ser estilista estava nos seus planos ou aconteceu?Ricardo Preto - Desde criança que esse era o meu sonho. Adorava desenhar e estava sempre a inventar coisas. Fazia bonecas de caixas de papel e depois desenhava colecções para cada uma delas. - Os seus pais sempre o apoiaram ou pertencem àquele grupo de pessoas que vê na criação de moda uma actividade mais feminina?- Fui eu que criei esse cliché com a sociedade. Eu é que no início tive receio que me discriminassem por ser estilista. O meu pai é uma pessoa ausente, mas a minha mãe apoiou-me sempre. - Alguma vez sentiu essa discriminação?- Não, acho que era uma coisa da minha cabeça. "Esta profissão é realmente tão absorvente que a única solução que encontrei foi mesmo casar-me com o trabalho." - Isso quer dizer que a sua escolha foi realmente acertada?- Parece que sim. [risos] De há seis anos para cá a minha vida tem mudado radicalmente. Há três anos achei que estava na altura de mudar e recebi um telefonema da Isabel Branco que me convidou para fazer o Portugal Fashion. Senti-me superimportante, pois há poucas oportunidades na moda e ter logo uma dessas é realmente fabuloso. Logo a seguir, no mesmo dia, à noite, o Mário Matos Ribeiro convidou-me para fazer a ModaLisboa. Como já tinha dito que sim ao primeiro convite, tive de recusar, e depois de ter feito o Portugal Fashion, passei para a ModaLisboa. - Quando faz uma criação, qual é a sua maior preocupação?- O corte, a confecção e os tecidos. Depois, faço questão que os meus clientes tenham um ar saudável, não gosto de desconstruir nem o homem nem a mulher. "A minha vida tem acontecido por sorte, por pessoas que acreditam em mim e pelos amigos que me rodeiam." - Sente-se um homem sortudo?- Também. Mas sempre acreditei em mim e no meu valor. Acho que quando isso acontece, as outras pessoas passam a acreditar também em nós e as coisas acabam por surgir. Trabalho 14 horas por dia, mudei-me para o meu ateliê, um espaço com 250m², onde coloquei uma cama, para estar totalmente disponível para o trabalho. - Um verdadeiro workaholic...- Estou e serei durante os próximos cinco anos, mas não me sinto workaholic, pois faço aquilo de que gosto. O meu objectivo de vida é alcançar o sucesso profissional. - Acima de qualquer outro?- Exactamente. Esta profissão é tão absorvente - quando se acaba uma colecção já se está a preparar outra -, que a única solução que encontrei foi mesmo casar-me com o trabalho. [risos] "Gosto imenso do Natal. Para mim, esta é uma época de recolha." - E onde sobra tempo para a parte pessoal, para a família e os amigos?- Os amigos percebem que este é o meu projecto de vida e tudo também acontece porque eles me dão o maior apoio. A minha vida tem acontecido por sorte, por pessoas que acreditam em mim e pelos amigos que me rodeiam e estão sempre a meu lado para tudo. - Imagino que, apesar de tanta dedicação, faça forçosamente uma paragem em épocas especiais como o Natal...- Aí tem de ser. É uma época de que gosto muito e a que ligo imenso. Passo o Natal sozinho com a minha mãe e a minha sobrinha e usufruímos dos três dias de Natal a viver este espírito à séria. Para mim, é uma época de recolha. - Quer isso dizer que faz preparativos e repete tradições?- Sim, decoramos a casa a rigor, usamos roupas novas, fazemos a tradicional ceia, ouvimos música de Natal... Tudo como manda a tradição. [risos] Vivemos estes dias com muita comunhão e adoramos estar juntos. São sempre dias maravilhosos.


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